sexta-feira, 30 de setembro de 2011



 
Três urubus conversam
sobre a água-furtada.
Comentam o descaso das casas,
o vazio dos quintais.
Divagam sobre a ausência da podridão,
o cheiro que rege o percurso
dos abutres.
Lá estão eles,
sobre telhas,
a afiarem garras,
a deglutirem vísceras.
Ao erguer de asas
declinam
verbos, adjetivos.
Tentam decifrar,
do alto,
de que forma
morre o Recife.

(Fotografia de Benício Dias, do acervo da Fundaj)

2 comentários:

DE MARCO disse...

Que imagem!

Quando crescer quero ser assim como Everardo Norões: poeta.

A C Rangel disse...

Estive, há muitos anos, no Recife.
Foi uma visita rápida, a trabalho, o que me impediu de conhecer um pouco mais da bela cidade. Pelas palavras do Everardo, sinto que perdi a grande oportunidade de conhecê-la. Tal qual os três urubus, não vou poder jamais desfrutar da bela Recife. Infelizmente. Mas as palavras do Everardo eu conheço. E delas desfruto sempre.