quarta-feira, 18 de novembro de 2009


Nosso velho amigo Fred, o Padre Fred Solon,
foi embora no mesmo dia em apareceu
a primeira flor do pau-brasil de nosso jardim...
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009


Três textos de Ivo Barroso

itinerários - I

Um caderno escolar com três escoteiros na capa, o do meio empunhando uma colossal bandeira do Brasil, me assegura que já em 1947 eu andava às voltas com a tradução de versos: Amado Nervo, Emile Lante, Siegfried Sassoon, o Anônimo Espanhol (“No me mueve, mi Dios, para quererte"), Baudelaire (“L´homme et la mer”) e... Shakespeare (nada menos que o soneto XXIX, When in disgrace with fortune and men´s eyes). Mas outras recolhas indicam que antes mesmo, em 1944-46, ousara encarar os célebres sonetos de Lupercio Leonardo de Argensola e de Manuel González Prada; e, fora do espanhol, houve uma curiosa "adaptação" das Feuilles Mortes, do então e hoje desconhecido poeta suíço Henry Spiess, e uma transposição do espanhol para o inglês, o poema Lazarus, do colombiano José Asunción Silva. O curto poema, cujo original espanhol só agora consigo recuperar, dizia assim:


Vem, Lázaro! – gritóle
el Salvador. Y del sepulcro negro
el cadáver alzóse entre el sudario,
ensayó caminar, a pasos trémulos,
olió, palpó, miró, sintió, dio um grito
y lloró de contento.
Cuatro lunas más tarde, entre las sombras
del crepúsculo escuro, en el silencio
del lugar y la hora, entre las tumbas
del antiguo cementerio,
Lázaro estaba sollozando a solas
Y envidiando a los muertos.
Recordo-me que fiz a versão para o inglês como trabalho de casa quando estudava na Cultura Inglesa com o professor Mullholand. Sem ainda ter lido Ezra Pound, andei operando uns cortes no original:

Come, Lazarus, come with me”,
said the Master. And the dead body
arouse up and began to walk
with shaking steps.
Looked, touched, smelt, felt,
and cried for happiness.
Four moons later, in the shadows
of the night, in the silence
of the old cemetery,
among the graves,
Lazarus was alone, sobbing,
fully envious of the dead.

Mullholand elogiou o trabalho e corrigiu duas frases:
Em inglês não se dizia “cried of happiness”, mas “cried for happiness”; e também não era “fully of envy of the dead” e sim “fully envious of the dead”.
Não conto essas coisas para me gabar nem exibir precocidade tradutória. Rimbaud aos 16 anos fazia versos em latim e há referências assustadoras e dissuasórias de feitos literários realizados em idades imaturas. Quero apenas imaginar que existe um certo pendor, uma inclinação para o traduzir que se manifesta desde cedo. Conheço pessoas, é verdade, que começaram a traduzir muito tarde, depois mesmo de terem realizado sua obra original. Mas o fizeram como uma espécie de hobby, de suplemento ao ócio, e não por aquela necessidade compulsória que move o tradutor orgânico. Nessa idade, o traduzir era um ato impulsivo.
Creio que cheguei à tradução como consequência lógica de minha abundante produção poética. Não me contentava em fazer três ou quatro sonetos e, quando a inspiração faltava, recorria aos versos alheios para supri-la. Era também a época ginasiana em que me encantava com o estudo das línguas e encontrava um fascínio na descoberta das palavras. Minha formação poética fora irregular e acronológica. Até os anos '40, vivi no interior, onde não havia biblioteca, e me satisfazia com os livros que encontrava, geralmente coleções compradas para enfeitar estantes. Em duas delas - Machado de Assis e Humberto de Campos, da Editora Jackson - desbravei os dois primeiros livros de poesia que li. Achei Humberto de Campos um poeta cultíssimo, íntimo dos deuses mitológicos e das passagens bíblicas. Fiz vários poemas sobre Ícaro, Galileu, Atalarico e outras personagens que ficara conhecendo de segunda mão. Meu primeiro soneto, O Pássaro Cego, publicado na Gazeta de Viçosa, em Minas, trazia uma epígrafe de H. de Campos, aliás inspiradora do poema. Mas tarde descobri Augusto dos Anjos e passei a pertencer à escola naturalista sem saber ainda o que era uma escola. Lembro-me de um professor meu “impressionado” com o soneto Vida, que ousei mostrar-lhe depois da aula, Vida, cujo começo era assim: "A Vida é o resultante grau da orgânica / Evolução da célula. É Energia que mais se apura dia para dia / Desde os tempos remotos da Era Oceânica”... Em seguida viriam outras fases: Bilac, Raul de Leôni, Menotti Del Picchia... Poesias “filosóficas” e amargamente amorosas, típicas da minha falta de experiência em ambas as lides.

Essa desordenada ânsia de leitura poética, que se extravasou de maneira igualmente desordenada para os poetas estrangeiros, é que coloco no cerne de meu anseio de traduzir. Digo anseio sem medo de crítica nem de pagar exagero. A satisfação de traduzir supria todos os outros interesses - sociais ou esportivos - que eu pudesse ter à época. Acordava cedo e ia para a Biblioteca Nacional ler e copiar poemas estrangeiros, pois não tinha respaldo econômico para adquirir os livros. Mas um - não me esqueço - comprei-o com o dinheiro de meu primeiro salário, em 1945: A Rosa do Povo, que li perplexo. Essa preciosidade, essa primeira edição “histórica”, perdi-a por ter emprestado o livro a alguém. Lição número um: nunca empreste livros.

itinerários - II

Para voltar ao mencionado caderno do escoteiro, datado de 1947, dali copio a primeira versão do Soneto XXIX, de William Shakespeare, tentada em alexandrinos:


Quando, longe da vista humana e da fortuna,
Choro, triste e sozinho, ao ver-me desterrado,
E o surdo céu meu pranto inútil importa,
Eu olho para mim a maldizer meu fado,

Querendo ser alguém mais rico de esperança,
Parecer com esse alguém, ter amigos serenos,
Desejando-lhe a sorte, os intentos que alcança,
E, do que mais aspiro, estar contente, ao menos;

Ainda, nesse pensar, quase me desprezando,
Recordo-me de vós, retorna-me a alegria
E ponho-me feliz, como a calhandra, entoando

Hinos ao claro céu, cá da terra sombria;
Pois só de em vós pensar, tão rico me fazeis
Que o meu destino, então, não dou pelo de reis.

Vali-me de uma ou outra solução dessa antiga ousadia para reelaborar o soneto em decassílabos:

Se, órfão do olhar humano e da fortuna,
Choro na solidão me pobre estado
E o céu meu pranto inútil importuna,
Eu entro em mim a maldizer meu fado ;

Sonho-me alguém mais rico de esperança,
Quero feições e amigos mais amenos,
Deste o pendor, a meta que outro alcança,
Do que mais amo contentado o menos.

Mas, se nesse pensar, que me magoa,
De ti me lembro acaso – o meu destino,
Qual cotovia na alvorada entoa

Da negra terra aos longes céus um hino.
E na riqueza desse amor que evoco,
Já minha sorte com a dos reis não troco.

Nos anos '50 já devia ter uns quatro ou cinco prontos, com os quais obtive uma espécie de passe livre nas páginas do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, sob a égide de Mário Faustino e Reynaldo Jardim. Entre esses quatro, recordo-me que estava o LXXI ("Não lamentes por mim quando eu morrer"), que me granjeou a simpatia de Manuel Bandeira.

A fase de trabalhos sistemáticos, no sentido de traduzir um considerável número de sonetos, só ocorreu na Holanda, nos anos 1968/70, onde me deparei, pela primeira vez, com a coleção completa dos 154, numa edição bilíngüe (inglês/neerlandês), traduzidos por W. van Elden, que a minha timidez não me impediu no entanto de conhecer. Foi com a tradução de seu prefácio que passei a ter consciência das dificuldades a que se expunha, em qualquer língua, quem intentasse traduzir os sonetos shakespearianos querendo manter-lhes o ritmo, os jogos de palavras, as polissemias e duplos sentidos, o vocabulário ora erudito ora popular, a riqueza de ambientes, cores, tons, sem falar nas metáforas peculiares e nos recursos formais que funcionam como elementos gestálticos. Diz van Elden: “Shakespeare conseguiu extrair da forma soneto tudo o que ela poderia dar. Por meio de infinitas variações métricas e do uso de todos os recursos poéticos, como aliteração, rimas internas, antíteses, repetições e trocadilhos, logrou um resultado quase inatingível. E tudo isso com tal facilidade e naturalidade que os recursos técnicos podem até passar despercebidos a quem não procurá-los expressamente”. O clima neerlandês terá certamente contribuído para a obsessão de “trabalhar” a tradução dos sonetos até conseguir preservar a maior parte possível de seus elementos, a manutenção da ordem das proposições, os recursos estilísticos, sem abrir mão de seu trânsito poético pelo território da língua portuguesa. Outro caderno, já dessa época, na verdade um bloco de notas (100 vel prima houtvrij schrijfpapier met lijnen), atesta a quantidade absurda de tentativas de transposição de um único verso, como o inicial do soneto I (From the fairest creatures we desire increase) com suas duas aliterações sucessivas (em fr e em cre) até chegar ao equivalente "Dos seres ímpares ansiamos prole" (se/si e pa/pro), pois ora se obtinha a aliteração mas havia a discrepância da rima, ora aquela não se encaixava na métrica, sem falar na recusa permanente aos circunlóquios ou transposições.
Da Holanda trouxe 24 sonetos que, revistos, foram editados pela Nova Fronteira num livro de luxo destinado a bibliófilos, em 1973. Numa segunda estadia na Europa, dessa vez com passagem pela Inglaterra, a obsessão continuou, acrescida então de bom número de instrumentos críticos, com o intento de se elevar o número de peças traduzidas para 30 com vistas a uma edição comercial que veio à luz em 1991. A essa altura, já havia o convívio com edições integrais de renome, como a Oxford (ed. W. J. Craig) e a Pelican (ed. Douglas Bush) e a frequentação de autores fundamentais como Stephan Booth, W. G. Ingram e Theodore Redpath, John Dover Wilson, Kenneth Muir, Robert Giroux e A. L. Rowse, com suas notas e comentários elucidativos, além de estabelecimentos de texto. O precioso livrinho Shakespeare´s Wordplay, de M. M. Manhood, mostrava as intenções ocultas e as sutilezas verbais que certamente escapariam sem a sua ajuda. E da joia rara, aquela cujas notas representavam uma espécie de bíblia-guia dos Sonetos – procurada em todos os grandes alfarrabistas de livros raros por onde andei – A New Variorum Edition – e que só fui conseguir em cópia xerográfica na Biblioteca Real de Estocolmo nos fins dos anos '80. Houve também a obsessão de examinar o maior número possível de traduções, principalmente as francesas, a partir da de François Victor Hugo, que já conhecia desde o Brasil. Mas a França me reservou uma grande decepção na pessoa de Henri Meschonnic, incensado professor da Sorbonne, com seu livro Poétique du traduire (Verdier, 1999), em que arrola e critica impiedosamente oito traduções francesas do soneto XXVII ("Weare with toil, I haste me to my bed"), num período que vai de 1887 a 1992. Depois de detonar todos os seus antecessores, Meschonnic apresenta a sua versão, que, longe de ser perfeita, nada tem de poética, além de passar voando por sobre o magnífico jogo de palavras do 4° verso, em que Shakespeare brinca com as nuances de work como verbo e como substantivo (To work my mind, when body´s work expired). Nem sempre o conhecimento teórico assegura a realização poética...

itinerários III

ESCORREGÕES

A tradução tem muito de malabarismo, ou melhor, de caminhar na corda bamba. Você se arrisca a escorregar e cair a cada passo e, mesmo que tenha conseguido chegar quase ao extremo da corda (ou do texto), o escorregão é sempre um desastre, a queda uma escoriação no seu ego. Talvez seja por isso que os tradutores temem, em especial, os falsos amigos - essas palavras que nos parecem familiares, iguaizinhas às nossas, mas que, na verdade, constituem uma tremenda casca de banana no caminho do escorregão. Só para citar algumas muito manjadas: você vê a palavra “oso” em espanhol e – zás! – escreve “osso” em português, quando na verdade devia escrever “urso” (não se trata de um exemplo aleatório: encontrei esta na tradução de um poema feita por notório conhecedor da literatura hispano-americana); aparece em inglês “casualty”, pedindo para você traduzir por “casualidade”, mas – ledo engano! – a palavra ali tem o sentido de “vítima”, “baixa”, “morte” etc. Recentemente vi numa tradução do francês que as pessoas estavam sentadas de “tailleur”, e estranhei, pois não havia mulheres em cena; mas logo atinei com o sentido: o original devia ser “assis en tailleur”, uma expressão idiomática que significa “sentados de pernas cruzadas” (à maneira oriental – a cena se passava no Japão). Poderia continuar citando os faux amis (como as chamam em francês), ou deceptive cognates (em inglês) que abundam igualmente no italiano, língua em que você pode pensar que “un uomo sbigottito” seja um cara sem bigode, ao passo que ele está apenas assustado. O leitor interessado pode encontrar uma boa lista dessas palavras traiçoeiras no livrinho A Arte de Traduzir, de Brenno Silveira, o beabá do tradutor iniciante, que li com profunda veneração quando comecei a decifrar hieróglifos e buscava alguma base teórica em que pudesse me apoiar. Com ele aprendi o grande princípio do apostolado da tradução: a fidelidade ao texto. Mas meu propósito é outro. O que estou tentando dizer é que irremediavelmente o tradutor está sujeito a um escorregão dessa natureza e será miraculoso malabarista aquele que nunca resvalar. O grande Agenor Soares de Moura, em seu livro À Margem das Traduções, mostrou que mesmo escritores consagrados estão sujeitos a uma bobeira num momento do traduzir. Mas isto não ocorre só entre nós. Wyatt Mason, scholar norte-americano, especialista em Rimbaud, de quem traduziu a obra completa, deslizou feio num trecho das cartas do poeta de Charleville. A frase em francês era a seguinte: “Entrer à Geldessey à 10 ½. Les porteurs se mettent au courant, et il n´y a plus à souffrir qu´à la descente de Ballaoua”. Para bom entendimento, é necessário esclarecer que se trata de uma anotação feita pelo poeta, com a perna gangrenada, ao ser transportado para um distante hospital numa liteira por dezesseis carregadores que não conheciam bem o caminho. A tradução seria aproximadamente: “Chegada a Geldessey às 10 ½. Os carregadores vão se inteirar das dificuldades: não são maiores que as da descida de Ballaua”. Hyatt deu o passo em falso e traduziu: “Enter Gueldessey at 10:30. Bearers begin to run, and no suffering until the descent from Ballaoua”. Leu “se mettent au courant” (põem-se ao corrente) por “se mettent à courir” (põem-se a correr). Pobre Rimbaud, inválido e ainda vendo os seus carregadores abandonando o cargo (ou a carga)...

Eis a minha escorregadela histórica. Tive a satisfação de trabalhar com um grande, excepcional tradutor, Dr. Elias Davidovitch (que me confessou também haver alguma vez escorregado e me citava Quandoque bonus dormitat Homerus). Ele dirigia uma enciclopédia judaica e me dava verbetes para traduzir do inglês. Num deles havia um rabino tão pobre que tinha de pedir emprestado o relógio aos seus vizinhos para ir à sinagoga. Imaginei que fosse um despertador, acordando o rabino de madrugada para sua função religiosa. Dr. Elias se divertiu bastante com a minha tradução e aconselhou-me a colocá-la num quadro. “Assim você nunca mais se esquecerá!” Na verdade, o que os vizinhos emprestavam ao rabino era um casaco para abrigá-lo do frio, pois sendo muito pobre nem agasalho tinha. Eu lera “clock” em vez de “cloak”.

Arrisco-me a soar um tanto professoral, ou pior ainda, paternal. Mas estas palavras vão para aqueles tradutores primitivos, que estão à cata de seus primeiros trabalhos, mas que acham – como eu na época – que já dominam o métier. O tradutor precisa não de um casaco emprestado como o do rabino, mas exatamente de um relógio, de um mecanismo de advertência. Ler sempre com atenção, não deixar passar nunca uma palavra cujo sentido não conheça ou que não tenha checado, desconfiar de situações esdrúxulas, de frases incompreensíveis, de palavras sem sentido. Assim seu erro eventual pode se transformar nesse aparelho imprescindível ao tradutor: o desconfiômetro.#
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P.S.-Estes textos do poeta e tradutor Ivo Barroso foram publicados no site de Denise Bottmann, Não gosto de plágio (http://naogostodeplagio.blogspot.com/).
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domingo, 8 de novembro de 2009


O dente-de-leão

Filho de um pintor,
seu maior desejo era tornar-se músico, maestro.
Mas teve que estudar filosofia para ser professor e ganhar a vida.
Um dia, deitou-se no campo, perto da linha Maginot,
linha de fortificações edificada nos anos 30,
na fronteira da França com a Alemanha.
Queria apenas contemplar a natureza.
Mas, de repente, viu-se fascinado
ao observar uma flor estranha, uma flor-estrela,
o dente-de-leão,
que os franceses chamam pissenlit.
A forma complexa da taraxacum officinale
levou-o a refletir sobre a reprodução sistemática de certas estruturas.
Logo depois, viria ao Brasil,
onde manteve contato com algumas tribos indígenas:
Bororós, Caduveos, Nambikwaras.
Registou tudo:
desenhos corporais, falas, mitos, músicas, culinária,
estruturas de parentescos...
Tornou-se um dos homens mais conhecidos do século XX.
Suas idéias invadiram quase todas as áreas do saber.
Deixou-nos há poucos dias,
com 100 anos de idade.
O rapaz do dente-de-leão se chamava
Claude Levy-Strauss.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Movimento de cordas nos rebocadores
Lucila Nogueira

Movimento de cordas nos rebocadores
hora européia de um caleidoscópio de brumas
dedos como submarinos entre sargaços
não é tão longe
de Babilônia a Jerusalém

Cidade-cais de Saint-Nazaire
o atracar e largar de navios
movimento lento em água parada
horizonte indefinido no Loire
varanda entre os andaimes e guindastes
êxtase inesperado das embarcações

Eu sou aqui somente uma estrangeira
e trago a marca da casualidade
eu sou a transeunte forasteira
e assim como cheguei devo partir

Eu sou aqui somente a passageira
e por mais que me entregue
permanecerei alheia
por mais que te queira eu sou farouche
e esta cidade é só o meu percurso
fosso muralha ponte e sentinela
assim como cheguei devo voltar

Ninguém acenará para mim
de qualquer janela
quando eu me for
cais platônico de mim
dimensão metafísica do sonho
cais metáfora do corpo passaporte
somos nós os navios desta noite
cais invisível da ressureição

P.S. Relendo a A quarta forma do delírio, de Lucila Nogueira, reencontrei esse belíssimo poema...

Bebendo sozinho sob a lua


Li Po (701-762)


(tradução da versão francesa de François Cheng)

Entre as flores, um pichel de vinho.
Sozinho a beber sem companhia
Levantando minha taça, saúdo a lua:
Com minha sombra, somos três.
No entanto, a lua não sabe beber;
É em vão que a sombra me segue
Honremos, entretanto, sombra e lua,
A alegria dura somente uma primavera!
Eu canto e a lua flana,
Eu danço e minha sombra se diverte.
Despertos, nos regozijamos,
E ébrio, cada um segue seu caminho...
Reencontros na Via Láctea:
Nunca mais, caminhadas sem apego!

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A ilustração é uma caligrafia de Li Po.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Para Mamíferos
A farta teta da literatura


Para Mamíferos, a mais nova revista sobre artes da cidade, tem sua primeira edição lançada hoje. Nas suas páginas, as muitas faces da literatura local, nacional e internacional se misturam a matérias de cunho jornalístico e histórico

Thiago Barros

especial para O POVO
thiagobarros@opovo.com.br22 Out 2009 - 01h45min

Como colostro na boca do rebento. É dessa imagem que os editores da mais nova revista sobre literatura e artes em geral de Fortaleza lançam mão para se apresentarem ao mundo. Para quem não sabe, o colostro é a primeira alimentação dos filhotes de certa classe de animais, assim que eles deixam o ventre da mãe. O pequeno texto inicial, que se destaca de uma página-dupla ornada por figuras de bebês em posição fetal, serve como um aviso a quem pegou o volume inadvertidamente às mãos. Nele, a Para Mamíferos assume o papel de provedora. Se não de alimento para o corpo, de comida fresca para quem vive de arte. Com um conjunto editorial formado por Tércia Montenegro, Pedro Salgueiro, Glauco Sobreira, Jesus Irajacy Costa, Raimundo Netto e Nerilson Moreira, a primeira edição da publicação, que terá periodicidade semestral, conta com um pouco menos de 80 páginas, dentro das quais matérias jornalísticas, como o relato de Renato Barros de Castro de uma viagem que fez à Polônia, onde se deparou com os vestígios do nazismo, se misturam a poesias e contos de autores locais e de grandes nomes da literatura nacional e mundial. Logo na página seguinte à citada advertência preliminar, um conto inédito do curitibano Dalton Trevisan dá as boas-vindas. Ainda na edição, constam uma entrevista com a escritora Ana Miranda e uma seção com traduções de textos de Ernest Hemmingway e de Gertrude Stein, além de uma matéria especial sobre a geração pós-Clâ de escritores cearenses. Um artigo de Ghil Brandão sobre o Teatro Radical traz também a arte dramática à baila. Quando perguntada sobre a origem do curioso nome da revista, Tércia Montenegro explica que foi uma ideia de Glauco Sobreira, que surgiu de uma série de reuniões entre os seis editores. "O nome tem o papel de nortear o perfil da revista. Nós queríamos algo diferente, algo que causasse estranheza e, quando o Glauco sugeriu esse, foi quase unanimidade", revela. De acordo com a escritora, é possível se fazer uma aproximação entre o simbolismo do título, do colostro, dos fetos que pontuam o fim de cada artigo e dos seios fartos do porta-lápis que ilustra a capa com a imagética que tem o pão para a Padaria Espiritual, a saber, o de literatura como alimento para a alma. Segundo ela, a Para Mamíferos contará com algumas seções que devem se repetir em todos os números, como, por exemplo, a Literatrilhas, que traz relatos de viagens de escritores, e a que destaca entrevistas com grandes nomes do cenário local. Essa composição de conteúdo, Tércia revela, foi feita a partir de consultas a várias revistas de temática semelhante das quais os editores são leitores, já que o grupo idealizador da publicação toca sozinho a iniciativa, sem qualquer tipo de auxílio de editoras. Por sua vez, o também escritor Raymundo Netto, lembra, no entanto, que eles seguiram um modelo, mas procuraram o ineditismo dentro dele. Dessa busca, Raymundo enumera como frutos o texto do esquivo Danton Trevisan e o conto de Juarez Barroso, que foi retirado por ele próprio de seu livro Mundinha Panchico e o resto do pessoal, e não tinha sido publicado até agora. Sobre o perigo de se tornar uma publicação isolada, com o estigma de "local", Raimundo é taxativo. "Procuramos romper as barreiras do Ceará", diz. Para ele e para Tércia, a Para Mamíferos tem o papel de fazer as duas mãos do percurso: trazer ao Estado um pouco da produção de fora e levar um pouco daqui também para outros lugares. Não há, contudo, maiores ambições por trás disso. "Não vamos viver disso", sentencia Tércia, que acumula, ao lado da atividade artística, o trabalho de professora universitária. "Vamos fazer a nossa parte e ver o que acontece", acrescenta, despretensiosamente, Raimundo. Os dois concordam, contudo, que a iniciativa pode se tornar um exemplo para editoras que queiram adentrar nesse nicho, talvez até adotando a Para Mamíferos daqui para frente. Também preocupado em expandir os limites espaciais, mas também os temporais e todos os demais, Pedro Salgueiro, outro dos seis editores, ressalta que não foi objetivo deles fazer uma revista com uma cara excessivamente jovem. Por outro lado, a ideia não é, tampouco, a de a dedicar totalmente ao passado. A intenção, conta ele, foi, sim, a de englobar o mais amplo espectro possível. "Não temos preconceito de nenhum tipo. Tentamos abarcar a diversidade", afirma Pedro. "Do total, 80% da revista é cearense, mas temos nomes nacionais e a parte de traduções, com a qual procuramos fazer essa ponte", complementa. Além dela, ele lembrou a potencialidade do espaço intitulado Caixa de Espantos para revelar jovens escritores, bem como o desejo de se continuar a fazer "dossiês" sobre a história da arte cearense, tais qual o da geração pós-Clã.
SERVIÇO PARA MAMÍFEROS - Lançamento da revista literária editada por Glauco Sobreira, Jesus Irajacy Costa, Nerilson Moreira, Pedro Salgueiro, Raymundo Netto e Tércia Montenegro, com performance de Ricardo Guilherme e Gil Brandão. Hoje, às 19h, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, ao lado da Livraria Livro Técnico. Preço: R$10. Outras informações: paramamiferos@gmail.com.
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http://opovo.uol.com.br/opovo/vidaearte/921119.html
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terça-feira, 20 de outubro de 2009


Para Mamíferos 1
Uma Revista de Letras e Artes

Data: 22 de outubro de 2009 (quinta-feira)
Horário: a partir das 19h30
Local: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Espaço ao lado da Livraria Livro Técnico
Editores: Glauco SobreiraJesus Irajacy CostaNerilson Moreira
Pedro SalgueiroRaymundo NettoTércia Montenegro
Presença no lançamento: Caio Porfírio Carneiro, Ana Miranda e performance de Ricardo Guilherme e Gil Brandão
Preço: R$ 10,00 (dez reais)
Contato da Redação (aquisição de revistas, críticas, sugestões e outros): paramamiferos@gmail.com

Em Para Mamíferos:

Entrevista exclusiva e curiosa com a escritora Ana Miranda
A Geração Pós-Clã, dossiê de um capítulo da literatura cearense
Contos de Caio Porfírio Carneiro, José Maia,
José Alcides Pinto, Mário Pontes e Juarez Barroso
Inédito e exclusivo Para Mamíferos conto de Dalton Trevisan
Literatrilhas revela: O Holocausto existiu! — A radicalidade e o radicalismo do Teatro Radical Brasileiro, ponto a ponto, por Ghil BrandãoNerilson Moreira Procura um Poeta de Meia Tigela (e ele existe?) — GlauQUADRINHOS x Beckett —Traduções inéditas dos escritores/tradutores Ruy Vasconcelos e Virna Teixeira
para Hemingway e Gertrude Stein
Da Caixa de Espantos nos saltam poesia e prosa selecionadas
(Henrique Dídimo, Luciano Bonfim, Carlos Nóbrega, Everardo Norões,
Carmélia Aragão, Fayga Bedê, Amílcar Bettega)
Como Você Nunca Viu… mas verá, com Sânzio de Azevedo.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ouvir Messiaen...

Escuto, várias vezes seguidas, um CD que nos foi ofertado por nossa amiga Dominique Coffin, da cidade francesa de Nantes: um programa da rádio France Culture, apresentado por sua filha Louise, dedicado ao compositor Olivier Messiaen. Louise é uma jovem música, que estudou no Liceu Clemenceau, por onde também passou Olivier Messiaen na sua juventude. Esta a razão pela qual o toque de chamada do colégio é um trecho da sinfonia Turangalila. Nessa sinfonia Messiaen utilizou instrumentos musicais típicos da Indonésia.
Messiaen era também ornitólogo. Para algumas de suas composições (Pássaros exóticos ou Catálogo de pássaros, por exemplo) valeu-se de gravações de pássaros de vários recantos do planeta. Um dos músicos que revolucionaram a música do século XX e cuja influência marcou músicos como Pierre Boulez, Messiaen era profundamente católico. Tenho dele o CD Quatuor pour la fin du temps (Quarteto para o fim do tempo), composto em 1940 - quando ele se encontrava prisioneiro de guerra num campo de concentração da Silésia -, obra claramente inspirada pelo Apocalipse de São João.
Uma declaração de Messiaen: “Aspiro a uma música...que seja uma nova seiva, um novo gosto, um amor desconhecido, um pássaro em eterno crescimento...; uma música que simbolize o final dos tempos, a onipresença, os corpos transfigurados, os segredos divinos e sobrenaturais; um arco-íris teológico”.

Obrigado, Louise!
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Diário do Nordeste 16.10.09
(Uma entrevista com Manoel Ricardo de Lima)

Carlos Augusto Lima

Uma conversa: poesia número 7

Acho que insistir no poema tem a ver um pouco com o desequilíbrio. E isto, talvez, só se torne possível fora das imposições cotidianas de uma vida normatizada. Poeta é também o que não conforma. Estamos diante de uma espécie de ruína plena do afeto, como se as coisas todas do mundo estivessem atomizadas.

Com esta conversa poesia, a de número 7, encerro cá um ciclo, um estiramento de papo com alguns bons poetas de cá, ou de cá ao longe, este melhor lugar de ficar. Sete conversas que me deixaram feliz, escolhas certeiras, precisas, inteligentes. Que outras venham, de outra forma, outros lugares do saber e conhecer. Ou que seja apenas silêncio, quem sabe.

Para este último papo, convido Manoel Ricardo de Lima, que nasceu no Piauí, mas é cearense, e anda nos longes de uma ilha, fincando lastros, conexões, conversas das mais variadas, que esticam o dedo de prosa para além da literatura (por ela mesma), e prefere criar um território de saber, contemporâneo, sem mesmo a ideia de território, como você vai ler e verá. Manoel é uma das vozes críticas mais contundentes e espertas da literatura contemporânea brasileira. Voz aguda, diversa, filosófica, de mil referências e saberes atuais que tanto o empolgam. Entre tantas e outras coisas, Manoel Ricardo foi articulista deste jornal, é doutor em Literatura e Textualidades Contemporâneas, pensando Joaquim Cardozo, pela UFSC, e retomou a escrita do poema no seu mais recente livro "Quando todos os acidentes acontecem" (Editora 7 Letras, 2009). Com vocês, Manoel. Que esteja presente.


1) Por que escrever poesia, essa insistência?


Ontem assisti a um documentário simples, O equilibrista, sobre o cara que andou entre as torres do WTC, Philippe Petit, não pelo filme, nada pelo filme, mas pelo ato poético, este ato que não tem porquê. 45 minutos num cabo, pra lá e pra cá, entre os terraços das torres, solto no tempo e com um imenso sorriso aliviado no rosto. Então é óbvio que Petit se irrite com a pergunta que todos lhe fazem: "mas por que você fez isso?", e se irrita porque defende o gesto de uma vida mais perto do perigo, uma vida que possa provocar uma rebelião. Acho que insistir no poema tem a ver um pouco com isso, com o desequilíbrio do corpo lançado sobre um fio de vida alegre. Poesia, acredito, é lançamento. E isto, talvez, só se torne possível fora das imposições cotidianas de uma vida normatizada. Esta insistência passa um pouco por aí, por uma certa ética para o fanciullo, para a imaginação, para o amor, para o acidente que é o amor (descontrole, fúria, rasgo, acesso, distração, comum etc, e o que mais você quiser incluir aí, acho que cabe). E este ato não tem a ver com a palavra, apenas, isto me parece pobre e muito cristão, mas tem a ver com os modos de uso dos corpos com a vida, das operações do corpo e seus gestos políticos mais tensos. Quando escrevo, escrevo assim, como uma responsabilidade para nada, como "um território de luta", uma recusa e um lance com uma história aberta. E tenho tido cada vez mais vontade de escrever pra nada, num caráter insustentável do sentido.


2) Me faça um paralelo entre poesia/mundo. O que é ser poeta na condição de hoje?


Poeta é o que está expulso, Carlos, mas é também o que não conforma. Estamos diante de uma espécie de ruína plena do afeto, como se as coisas todas do mundo estivessem atomizadas. E estas mesmas coisas, me parece, de fato, todas elas, sem exceção, não tem mais saber histórico, não tem história, mas apenas um ajuste de emergência para o progresso. Uma história pré-fabricada, a que chamamos de poder, é a lei única e definitiva. O que nos sobra, a angústia? Esta pergunta é a marca feita com água a partir de uns versos de Alexandre Barbalho, "só o que me salva é a / angústia"; versos que vem como afirmativa, inclusive. A questão para o poeta agora, imagino, ainda pode ser retomar a utopia como um campo desejante, um campo para o desejo. Sempre com uma imprecisão interrogativa: como furar o campo da necessidade, que é o da política, com um poema, para armar um estado de utopia? Eu insisto nisso do poema porque preciso de um sonho, Carlos, ao menos um. Fazer a flor que posso ou tocar com a ponta do meu nariz num ponto furo de alguma ou qualquer imagem do mundo.


3) Simples: o que é escrever poesia em Fortaleza. Que tipo de reflexões pode apontar a partir desse dado?


Se eu começar a pensar em Fortaleza só como este lugar que tem nome de forte, posso começar a me sentir como Julio Cesar Chaves e desferir uns ganchos de esquerda, quase sem desperdício. Você deve lembrar que em 1990 Chaves ficou mais célebre ainda depois de derrubar Meldrick Taylor no último round, quando perdia por pontos, e mandou a frase: "Luta se ganha no ringue, não enquanto se discute." A frase é boba, de efeito, mas aponta pro chão, aponta pra onde o ato se constrói, pra onde é a queda, pra onde não tem porquê. Eu abandonei a discussão, Carlos, tenho me enchido de cansaço porque ela anda simplista, fora de prumo, atrás de significados e sem impertinência, e aí tanto faz se em Fortaleza ou em qualquer outro canto. Mas não abro mão de minha postura, do meu lugar político como poeta, por isso tenho a impressão de que não larguei o chão enquanto faço um pouco de silêncio e ando mais devagar, mas é só um pouco.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=680310
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009


HONDURAS: Um torturador como ministro...

El asesino Billy Joya fue nombrado ministro asesor del gobierno golpista de Honduras.
Joya es conocido por coordinar y dirigir torturas y asesinatos en este país durante los años 80.
Integró el Batallón de Inteligencia (3-16), que desde 1981 desapareció a decenas de personas. Se le imputa responsabilidad criminal directa en al menos 16 casos y operativos especiales que dejaron más de una decena de personas muertas.
Sábado, 4 de Jul de 2009. 6:10 pmTegucigalpa, 1 de julio. El gobierno de facto de Roberto Michelletti en Honduras nombró el pasado miércoles, como ministro asesor, a Billy Joya,
conocido por coordinar y dirigir torturas y asesinatos en este país durante la década de los años 80. Joya integró el Batallón de Inteligencia (3-16) y fundó el Escuadrón elite de represión "Lince", de los Cobras y primer comandante de esa agrupación. De 1984 a 1991 permaneció en el escuadrón de la muerte 3-16, donde desempeñó diversos cargos, bajo el seudónimo de "Licenciado Arrazola" . Se le imputa la responsabilidad criminal directa en al menos 16 casos y operativos especiales que dejaron más de una decena de personas muertas y torturadas por sus vínculos con organizaciones progresistas.

PERFIL DE BILLY FERNANDO JOYA AMÉNDOLA
Miembro del Escuadrón de la Muerte B 3-16
- Sábado, 04/07/2009-

El Batallón 3-16

En Honduras no existe acta de fundación del Batallón 3-16, pero los primeros desaparecidos datan de 1981. En ese año, Washington decidió cambiar de embajador en Tegucigalpa. John Dimitri Negroponte fue el elegido. Su currículo, impecable: antiguo jefe de la CIA en Vietnam. Negroponte fue el hombre clave de la estrategia anticomunista de Washington en Centroamérica y en la creación de la Contra nicaragüense. Los hombres del 3-16 fueron entrenados por agentes de la CIA y destacados militares argentinos.
En esa época aparece vinculado a la instrucción del 3-16 el general Suárez Manson, uno de los mayores represores de la dictadura argentina. Billy Joya no sólo estudió los métodos argentinos. Siendo cadete de la escuela militar Francisco Morazán de Tegucigalpa, marchó becado al Chile de Pinochet.

Billy Fernando Joya Améndola
Miembro del Escuadrón de la Muerte B 3-16

Capitán del Ejército de Honduras, era jefe de su división táctica en el Batallón B3-16.
Actuaba sincronizado con la Dirección Nacional de Investigaciones (DNI), el brazo represor del Ejército. Experto en infiltración y guerra sicológica. De 1984 a 1991 permaneció en el escuadrón de la muerte B3-16, donde desempeñó diversos cargos, bajo el seudónimo de "Licenciado Arrazola", entre ellos: Enlace entre consejeros norteamericanos y el Batallón 3-16; Jefe del Destacamento Técnico Especial; Coordinador entre Tegucigalpa y San Pedro Sula del 3-16; Enlace de los asesores argentinos y el 3-16. Se le acusa de secuestrar y torturar a seis universitarios hondureños en 1982. También se le imputa la responsabilidad criminal directa en al menos 16 casos y operativos especiales que dejaron más de una decena de personas muertas y torturadas por sus vínculos con organizaciones progresistas, entre ellos: Los operativos de las colonias la Campaña, La Matamoros, la San Francisco, La Florencia Sur, la Aurora, Guamilito y Loarque, entre otros.
Actualmente El gobierno de facto de Roberto Michelletti en Honduras nombró como ministro asesor a Billy Joya.
Tortura y Secuestro a Estudiantes Hondureños:
El 27 de abril de 1982, a las cinco de la madrugada, el entonces subteniente Joya y seis de sus hombres fuertemente armados penetraron en la vivienda del subprocurador de la República de Honduras (el segundo en la Fiscalía del Estado), Rafael Rivera, para detener a los estudiantes. Dos de ellos era hijas de Rivera, quien, por su cargo, tenía inmunidad. Los seis estudiantes coincidieron en su cautiverio con otros detenidos que después jamás aparecieron.
Aunque ni la policía ni el Ejército reconocieron la detención de los seis universitarios,
dos de ellos fueron puestos a disposición de la justicia 11 días después. Se les acusó de tenencia de armas y explosivos. Pero en la casa de Rivera, donde vivían alquilados, sólo hallaron apuntes.
Aunque no existe un tratado formal entre España y Honduras, una ley española, la de Extradición Pasiva de 1985, permitía el envío de Billy Joya a Honduras. El juez competente del caso en Tegucigalpa debía solicitar, a través de la Interpol o por vía diplomática, la extradición. Una vez recibida, las autoridades judiciales españolas pueden ordenar la detención de Joya. El juez hondureño tendría 40 días para fundamentar su petición, que, de aprobarse, sería de ejecución inmediata. Sin embargo, luego de una petición el 7 de agosto de 1997, sin éxito, se presume que el Gobierno de Honduras no tenía voluntad de que se produjera la extradición.
Asilo en España: Entró en España en abril de 1996 con un visado de turista. Procedía de Colombia, donde se había escondido tras su precipitada huida de Honduras al abrirse un proceso contra él y otros miembros del escuadrón de la muerte.
En octubre de 1996, solicitó asilo político a España, y el 30 de mayo de 1997,
el Ministerio de Interior español rechazó el requerimiento.
La denegación de asilo en España llevaba adjunta la orden administrativa de expulsión en 15 días. El abogado de Joya interpuso un recurso ante la Sala de lo Contencioso de la Audiencia, paralizando la medida. La sala notificó a Joya el 5 de febrero de 1998 que la orden de expulsión quedaba congelada hasta que resolviera el asunto del asilo.
Joya, vivía oculto en España desde abril de 1996, en Sevilla, con residencia en el barrio de Los Remedios, en uno de sus edificios más emblemáticos y caros, El Presidente.
Billy Joya fue acusado en 1994 de los delitos de tortura y detención ilegal, y el 17 de octubre de 1995 un juez civil de Tegucigalpa dictó una orden de busca y captura contra él.
El abogado Enrique Santiago, abogado español especialista en Derecho Internacional Humanitario, en 1998 denuncio a este sujeto en nombre de uno de los torturados, Milton Jiménez Puerto. La denuncia se ha interpuesto al amparo del artículo 5.2 de la Convención Internacional contra la Tortura, firmada por España.
En España, Joya nunca ha trabajado. Se mantuvo de las ayudas y del dinero que le envió su cuñado, con quien comparte empresa de seguridad en Honduras. La única actividad que se le conoce es la de catequista. Él ayudó a comprender el cristianismo a los alumnos del colegio de San José, de los Sagrados Corazones de Sevilla.

Luigino Bracci
http://www.radiomundial.com.ve/yvke/noticia.php?t=27907&highlight=san+pedro+sula